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14 de jul. de 2014

BR1000

Foto: Lina Sumizono
Por Gabrielle de Paula

        

Você já pensou em alguma manifestação artística que contribuísse de forma educativa para a transformação social? Uma peça teatral que através da arte sensibilizasse as pessoas e provocasse mudanças de comportamento diante da diversidade sexual? Pois então, essa peça existe. Se chama BRTrans e vem deixando marcas por onde passa.

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17 de set. de 2013

Histórias movidas pelo lixo

Por Arthur Wolff Hack

Fotos: Arthur Wolff Hack
Abrir sacolas. Separar. Plástico com plástico, vidro com vidro, metal com metal. Jogar no tonel certo. Outra sacola. Abrir. Separar. Jogar. Já faz 47 anos que dona Eva Saraiva convive com a rotina de quem é catador de lixo, quase metade dos seus 84. Foi assim, imersa nesse vaivém mecânico, que dona Eva criou os seus 18 filhos (10 biológicos e 8 adotados). E é assim que se sustenta até hoje. Ela trabalha na unidade de triagem Cavalhada, nome oficial do galpão gerido pela ASCAT – Associação dos Catadores de Materiais Recicláveis do Loteamento Cavalhada –, e localizado às margens da Avenida Cavalhada, Zona Sul de Porto Alegre. Foi lá, entre tonéis de embalagens de alumínio, garrafas pet e caçambas de rejeito que me encontrei com ela.


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O moderno virou passado

Por Thays Cruz

Fotos: Thays Cruz
Cercada por uma atmosfera de histórias e curiosidade, objetos passam de dono em dono percorrendo vidas. Quem busca toda essa variedade de estilos e um preço muito mais em conta, acha nos brechós uma nova “marca” para se vestir.

Fui buscando, entrando em lugares repletos de um colorido que reflete um passado curioso. Quem será que usou aquilo? Em que momento? E aquele vestido de noiva, o quanto esperado foi para celebrar a cerimônia dentro de seu branco triunfal? Em meio às peças, brinquedos, bijuterias, comprovei que quem pensa em brechó hoje, pode esquecer apenas o cheiro de naftalina e as poeiras que remetem ao guarda-roupa esquecido da vovó.


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Dedicação aos livros

Imagem interna da livraria Bamboletras (Crédito: Divulgação)
Por Júlia Corrêa da Rocha

Como as pequenas livrarias fazem para sobreviver em meio às transformações no mercado livreiro 


- “Quais são as livrarias pequenas de Porto Alegre?”
- “Tem a Palavraria, a Bamboletras, a Palmarinca...Ah, a Nobel fechou, é?
- “O Botequim das Letras também não durou muito, né?”



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No limiar das mídias

Por Luna Mendes

Foto: Luna Mendes
Misto entre o rádio e essa nova tecnologia que parece quebrar qualquer fronteira; a rádio Antena Negra sintonizada tanto pela FM 92.5 quanto pelo http://giss.tv:8000/antena_negra.mp3.m3u é um símbolo das novas possibilidades de produção e difusão da informação que a internet traz. Criada em 2007, transmitida na região central de Porto Alegre por uma antena que nem os próprios comunicadores sabem onde está e produzida a partir de diferentes pontos, a rádio garante a sua existência apesar de todos os obstáculos financeiros e burocráticos. Com um microfone simples e um PC razoável, diferentes coletivos libertários conseguem realizar uma produção que em nada perde para as rádios das indústrias de comunicação. Pulverização é um bom termo para definir a prática dos seus formadores, não existe uma sede centralizadora da informação, ela é difundida por diferentes pessoas em locais diversos que através das novas tecnologias tentam de alguma forma socializar a informação. Conversamos com Vicente Acrata, que participou da formação da rádio e manteve, durante o ano de 2010, o programa Vozes na Rua do coletivo anarquista Mentes Plurais.


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Noite do eu sozinho

Por Stefanie Cirne 

O Bar da Mata abre as portas para a comédia stand up em Porto Alegre

A partir das 18 horas, a frente do número 52 é um dos pontos mais iluminados da rua Mata Bacelar, no bairro Auxiliadora, em Porto Alegre. Desde o ano passado, o que parece ter sido uma humilde residência familiar entre a avenida Nova Iorque e a rua anônima atrás do Zaffari da Coronel Bordini abriga o Bar da Mata, o primeiro – e, por ora, também o único – espaço noturno a importar a fórmula made in USA dos comedy clubs para o Rio Grande do Sul. Após o almoço executivo ao meio-dia, o bar reabre aliando música, drinks, petiscos e três apresentações semanais fixas de comédia stand up. As sextas-feiras são os dias dos open mics (abreviação em inglês para “microfones abertos”), quando, além dos comediantes profissionais, os frequentadores assistem aos iniciantes no humor ou simples curiosos mostrarem o que sabem fazer.


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Sonus silentium

Por Gustavo Dutra 

Nave principal da Catedral Metropolitana
Difícil não se lembrar da expressão consagrada por Simon & Garfunkel ao entrar num templo católico, mesmo num centro movimentado como o de Porto Alegre. Numa época que a Igreja de Roma vem enfrentando um decréscimo sensível no número de almas sob sua tutela, os templos do Centro mantêm um fluxo contínuo de fiéis que, se não têm tempo para as missas, dedicam ao menos alguns minutos da jornada diária em busca de paz de espírito.




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O foco, o reflexo e a arte

Por Rodrigo Lorenzi 

Coletivos de fotografia ganham reconhecimento e desvendam talentos em Porto Alegre 

Fotos: Divulgação
Após um momento de pouco efervescência cultural de margem em Porto Alegre, manifestações artísticas estão ganhando destaque e reconhecimento pelo público. Os coletivos de fotografia aparecem dentre todas essas artes porque dão cara e voz aos movimentos sociais, à diversão e às gerações que estão fazendo ressurgir a atmosfera criativa e cultural da cidade.

Alguns se encontram por acaso, outros pelo trabalho já consolidado, e também tem quem acaba se conhecendo por causa do ócio. É assim, de maneira incerta e natural que os grupos de fotógrafos se formam. Ideias sem embasamento comercial, pelo menos a princípio, e bastante coragem para expor suas certezas ao público lá fora garantem a coesão necessária para que os projetos dos coletivos fotográficos ganhem corpo, repercussão e reconhecimento. Considerados cultura de margem por fugirem dos estereótipos e dos caminhos óbvios para o sucesso, eles acreditam que têm algo a acrescentar ao cenário cultural, e que as pessoas vão gostar disso. E é verdade. Cada vez mais coletivos como a Volt Project, Ovos e Llamas e Sete / Nove ganham o público pela arte que produzem. Arte que, segundo eles mesmos, pode ser feita por qualquer um.

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16 de jul. de 2012

A ressurreição do vinil

Por Gabriel Rizzo Hoewell

Fotos: Gabriel Rizzo Hoewell
A experiência do vinil é “tátil, visual e auditiva”, acredita João Augusto, o empresário que, em 2009, reabilitou a Polysom. A fábrica de vinis fechara em 2007, quando, após oito anos de atividade, começou a enfrentar problemas financeiros e técnicos. A Polysom não suportou a baixa demanda, que por um bom tempo fora apenas compensada pelos pedidos de fabricação de discos para igrejas evangélicas. A situação, no entanto, foi revertida, e o investimento que parecia arriscado tende a crescer junto com o mercado do vinil. Mesmo antes de reabrir, e já há muito tempo, a fábrica carioca era a única da América Latina. É provável, contudo, que esse posto seja deixado de lado em breve.

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A volta do Araújo

Por Sarita Reed


Importante centro de manifestações artísticas e políticas de Porto Alegre, o Auditório Araújo Vianna está prestes a ser devolvido para a cidade. Após permanecer sete anos fechado, as reformas do espaço cultural se encaminham para o fim, e a previsão é de que ele seja reinaugurado no início do segundo semestre de 2012.

Projeto do novo Araújo Viana / Foto: Simon Engenharia
Vencedora do edital de licitação da Parceria Público-Privada (PPP) feita em 2007 pela prefeitura, a Opus Promoções ficou responsável pela reforma interna e externa do Araújo, como é mais popularmente conhecido pelos porto-alegrenses. Em troca, a empresa terá um prazo de 10 anos para explorar comercialmente o local. A Opus poderá agendar o Araújo Vianna durante esse período em 75% das datas anuais, sendo que, no restante dos dias, ele poderá ser utilizado pela Prefeitura. De acordo com Carlos Caramez, coordenador geral do processo de reforma pela Opus, o custo total das obras ficará em torno de 18 milhões de reais. Há 36 anos no mercado, a empresa gaúcha se destaca no cenário cultural do estado pelos mais de quatro mil espetáculos produzidos, operando em locais como os teatros São Pedro e Bourbon Country.

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Um oriental cosmopolita

Por Sarita Reed

Fotos: Sarita Reed

Se chegares às 20h, provavelmente terás que esperar trinta minutos. Às 22h, a fila já deve estar estimada em torno de duas horas. Assim é o Kemono Sushi bar nas sextas e sábados: lotado. Durante a semana, o tempo de espera da fila que se forma em frente ao casarão da Rua Joaquim Nabuco, na Cidade Baixa, não é muito menor.

Além da comida tipo boteco, que com seus escondidinhos e petiscos conquistou o paladar dos porto-alegrenses, sushi é outro atual prato da moda na cidade. Nos últimos dois anos, surgiram aqui uma série de novos restaurantes de cozinha japonesa, dos mais variados estilos. Há desde o original drive thru de sushi até as caras seqüências dos estabelecimentos requintados.

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Jornalismo cultural sem Norte

Por Priscila Mengue

Foto: Priscila Mengue


Num apartamento localizado no bairro Bom Fim, em Porto Alegre, começou a minha busca pela resposta a uma curiosidade pessoal: “O que houve com a Revista Norte?”. Intrigava-me o fato dela subsistir no imaginário cultural, visto que nunca teve um encerramento oficial ou uma despedida. Muito pelo contrário, seu último editorial era entusiástico, fazendo menção a sua indicação como uma das finalistas do Prêmio Fato Literário. Até mesmo Vitor Necchi ainda se autodenominava, nas redes sociais, como editor da Norte.

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Poemas no ônibus

Por Guilherme Daroit e Natasha Heinz

Reportagem para rádio sobre os poemas "publicados" nas janelas dos ônibus de Porto Alegre. Ouça aqui.


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Arte a céu aberto – momentos da escultura pública em Porto Alegre

Por Bruna Linhares e Letícia Garcia

Mesmo despercebidas em meio à vastidão da cidade, monumentos públicos guardam um propósito: atravessar o tempo e nos lembrar de nosso passado. O Gaúcho Oriental e a Fonte Francesa, no Parque Farroupilha, são dois exemplos da materialização de acontecimentos importantes da cidade.

A Fonte e a França

Desde 1941, o chafariz integra
 um conjunto de monumentos
 do Parque Farroupilha / Foto: Letícia Garcia
Entre o Estádio Ramiro Souto e o Auditório Araújo Viana, no Parque Farroupilha, fica localizado um monumento que conta, através da sua existência secular, fatos importantes da história de Porto Alegre. A Fonte Francesa, também conhecida como Chafariz Imperial, formada por três módulos de ferro fundido onde se veem as estátuas de três crianças, carrancas e leões, é datada de 1866.

Nos seus quase 150 anos, ela já circulou por pontos importantes da cidade. Esteve na Praça Quinze de Novembro, em frente ao Chalé, chamada na época de Praça do Mercado. Em seguida, foi movida para o lado oposto do Mercado Público, próximo ao terminal de ônibus Rui Barbosa. Com a enchente de 1941, o chafariz foi transferido para o seu recanto atual.

A peça foi fabricada no nordeste da França, na região de Champagne-Ardenne, pela Fundição Antoine Durenne e trazida para Porto Alegre juntamente com outros seis chafarizes. Todos, com exceção do chafariz da Redenção, desapareceram da cidade no final do século XIX sem deixar vestígios. O fato de ser um único remanescente do período do Império é que confere à Fonte Francesa o seu segundo nome, o de Chafariz Imperial.

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Boemia resiliente

Por Alexandre Miorim

Da viatura que fazia a ronda local, o brigadiano curioso quis saber o que rolava. “Um cineminha?!”, exclamou.

Foto: Divulgação

Deve ser muita sede por cultura para, numa noite de 6°C na capital gaúcha, cerca de 80 pessoas se reunirem para uma matinê ao ar livre no meio da Cidade Baixa. Mais que sede é uma ânsia, uma inquietação, um grito contido em razão da série de políticas que, se tinham como objetivo coibir a boemia no tradicional bairro de Porto Alegre, foram efetivas.

O espírito boêmio, no entanto, ainda reluta para sobreviver aos ataques bem articulados e impositivos que quase dizimaram o movimento local. Dezenas de estabelecimentos foram e permanecem interditados, desde metade de 2011, numa repentina e implacável intensificação da fiscalização municipal, por meio da Secretaria Municipal de Indústria e Comércio (Smic). Regularização de alvarás, reformas em estruturas e cumprimento de horários, adaptações em geral onerosas e burocráticas, estão sendo exigidas da parte dos bares e casas noturnas que querem funcionar na CB.

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19 de dez. de 2011

As histórias de Cardoso

Por André Araujo

atenção: não nos confundamos. consultor criativo freestyle, viking rastafari extraordinaire, random caps locker VISIONÁRIO e terrorista poético provinciano com toques de EGOTRIPPER só existe UM: o verdadeiro CARDOSO; ou andré czarnobai para aqueles que viveram na selva (ou fora de POA) pelos últimos 10 anos.

figura um tanto recorrente de CENA CULTURAL do extremo sul brasileiro, CARDOSO pode ser considerado, paradoxalmente, um ser OBSCURO. não no sentido de misterioso ou RECLUSO, mas sim naquele sentido mais ADORNIANO de INEXPLICÁVEL. de acordo com o próprio, até hoje permanecem sob sérias suspeitas os motivos pelo qual o “ruivo do garagem” (alcunha de seus tempos de boemia) se tornou um dos expoentes da produção cultural independente (ou nem tanto) de porto alegre. se pensarmos em termos GENEALÓGICOS, quase todos os acontecimentos relevantes (na opinião do próprio) desse nosso INFANTE novo século que tiveram como cenário os PAGOS desse estado, cardoso esteve envolvido. desde o finado e saudoso mailzine, que carrega em seu título o nome dessa figura, CARDOSONLINE, até os mais vanguardistas projetos da velha mídia gaúcha, o vômito constante de palavras e gestos de cardoso esteve diretamente envolvido. reiteramos, em sua própria opinião.


é sempre bom voltar a esse ponto: na opinião de cardoso. essa frase vai aparecer muito daqui pra frente, então já vamos suprimi-la em nome de um parágrafo explicativo: cardoso fala, e muito. inclusive, tem a sua própria pessoa em altíssima conta. não há como filtrar os seus possíveis exageros num pretenso perfil, pois, são justamente eles que dão-lhe o traço mais marcante. cardoso é um homem hiperbólico, e para lhe fazer jus, deixaremos de lado as expressões contidas para poder mergulhar com justiça na eterna EGOTRIP que é sua vida e personalidade.

*
não interessa onde ou quando cardoso nasceu (porto alegre, 1980), ou como foi a sua infância, pois isso diz respeito à ANDRÉ CZARNOBAI, um homem que já não mais existe. a PERSONA se assim podemos dizer de CARDOSO nasce mais ou menos logo após o término do ensino médio, quando foi trabalhar para uma empresa que comercializava artigos médicos. era representante comercial, e a sua INEXPLICÁVEL influência sobre os donos de clínicas e hospitais do estado o alçaram a uma posição de destaque no meio aparelhístico hospitalar. cardoso vendia uma “máquina que faz BIP” (ref.cit. monty python e o sentido da vida) como ninguém. não sabia absolutamente NADA sobre aquilo que vendia, mas sua habilidade com as palavras e o recém descoberto carisma inabalável o fizeram acreditar que, bem, se conseguia vender equipamentos que custavam o PIB da nigéria em 1982 para QUALQUER UM sem esforço, poderia fazer outras coisas mais divertidas com a mesma facilidade. tendo consciência então, que num mundo pós-moderno o que conta é a retórica e o freestyle, CARDOSO se mudou para o lugar onde melhor poderia exercer essas atividades EM PROL da humanidade: na fabico, é claro.

como vivíamos em um período turbulento da história do país, com o sucateamento geral de todo e qualquer orgão público, a UFRGS é claro que não se safou. e como todo bom intelectual sabe, a única maneira de fazer as coisas melhorarem é através da REVOLUÇÃO. se der preguiça, uma greve basta. e como todos os estudantes já estavam na graça eterna de seus progenitores por ter alcançado o ELDORADO do sul do país, o ócio criativo por natureza e imposto por condição, gerou a descoberta do instrumento perfeito para esse tipo de situação: A INTERNET.

cardoso foi um visionário, sem dúvidas. ao notar o potencial de DISSEMINAÇÃO IDEALISTA imanente ao novo meio, se jogou como um porco na lama nos MEANDROS mais obscuros da nossa querida www. e desse mergulho no depositório das entranhas da humanidade que ainda estava apenas tomando forma, EMERGIU o CARDOSONLINE.

o cardosonline consistia num fanzine por e-mail. nada mais simples, nada mais óbvio, nada mais perfeito para a época. com uma coletânea de textos simples e que refletiam a vida nas “”””grandes”””””” cidades no início do século XXI, logo o cardosonline caiu nas graças do público UNDERGROUND do país todo. o que começou como uma brincadeira de cardoso para passar as horas, em menos de um ano se tornou o veículo referência para uma nova geração que se moldava a partir do descobrimento da internet. os colunistas, que na época não tinham mais o que fazer a não ser entrar na onda desse “ruivo hiperativo”, hoje são escritores de renome, professores universitários, jornalistas bambambans da grande mídia. o cardosonline catapultou a vida de todos os seus colunistas e definiu suas vidas a partir dali. e me perguntam o que aconteceu com cardoso? bom, cardoso continuou tocando o seu FREESTYLE LIFESTYLE.

pode parecer estranho que o grande feito de cardoso, ou pelo menos o que lhe rendeu mais reconhecimento, não lhe tenha sido mais frutífero. cardoso não se tornou um grande escritor, apesar do evidente talento que demonstrava em suas colunas. também não se tornou um empreendedor dos meios de comunicação, mesmo que ainda tenha o mesmo TINO que teve quando criou o cardosonline. o que aconteceu com cardoso? perguntam mais uma vez. CARDOSO é um homem que vive nas brechas do sistema. jamais poderia se tornar a grande personalidade que a sociedade nos incita a ser. o próprio cardosonline, guardadas as proporções subsequentes de sua fama, sempre foi algo para os raros que o descobriam sem querer. CARDOSO não é um homem que vive para cravar seu nome na história, não do modo como estamos habituados pelo menos. cardoso é um artista sim, mas um artista da vida.

*

é possível fazer aqui uma leve digressão a respeito dessa figura. alguém uma vez disse que os artistas abandonam a vida em nome da arte. não se pode viver e criar ao mesmo tempo. acho que foi o pessoa. o que é correto até certo ponto. nessa perspectiva, a arte se torna um substituto da vida, uma máscara que é laborosamente esculpida, de forma a dar uma perspectiva ao dia-a-dia. já nietzsche dizia que a arte não é mais que a ilusão que torna possível a vida. é mais ou menos por ai, mesmas ideias. mas o nietzsche também disse algo a mais, que se aplica perfeitamente ao MOMENTO. ele dizia simplesmente: torna-te a ti mesmo. não conhece-te a ti mesmo, como se nossa personalidade fosse algo já existente e a nossa função na vida seria buscá-la. pelo contrário, nossa personalidade, ou nossa vida, é justamente a nossa obra de arte mais completa. a mais pura ilusão que torna possível a vida é tratar a vida como arte. ENKRATEIA diria depois foucault, ou a estética da existência. viver como se pinta uma tela.

característica do pós-modernismo, existem poucos que podem se enquadrar plenamente nessa perspectiva. muitos os chamam de playboys, bon-vivants, etc. cardoso é um deles, mas um juízo de valor dessa magnitude, julgar a VIDA de uma pessoa, parece ser um tanto quanto MEGALÔMANO demais. digamos apenas que cardoso é uma espécie de espírito dos tempos, um mestre na arte do bem viver. como atestar tal afirmação? bem, uma conversa de quatro horas na lancheria do parque não deixa a menor dúvida disso.



quando uma entrevista é marcada, se espera que o entrevistado vá discorrer sobre aspectos de sua vida que são considerados relevantes para o PÚBLICO. um escritor falará de suas obras, uma ativista de sua militância e assim por diante. quando me encontrei com cardoso, tudo o que ouvi foram histórias. experiências com psicoativos, causos acadêmicos, anedotas sexuais. foram quatro horas de frente com o legítimo narrador benjaminiano, o que me fez refletir sobre aquilo que falei nos parágrafos anteriores. o grande feito de cardoso é sua própria vida, nada mais nada menos. e que vida, posso exclamar.

*

cardoso em 2006 foi para belém dar uma oficina de literatura e internet. pensou que iria encontrar na sala de aula meia dúzia de estudantes de comunicação e de letras, mas foi surpreendido por verdadeiros nativos amazônicos. “caboclos mesmo cara, tinha que ver. saídos da reserva!”. mas todos obviamente familiarizados com as bonanças da internet, ávidos pelas maravilhas do mundo moderno. finda a oficina, um deles (“o mais cabreirão”) abordou cardoso: “eu sou xamã. tu tem uma energia de xamã. quer fazer uma PAJELANÇA comigo hoje a noite?” convite estranho, mas quando se está na amazônia, se abraça tupã. dirigiram até uma cidade vizinha no carro mofado pela umidade sufocante do pará. foram os dois para uma clareira, no meio da floresta que não era muito longe da cidade. sentaram um de frente para o outro e o xamã tirou uma bolsa de couro de seu casaco, colocando o conteúdo em um longo cachimbo artesanal. “dá uma tragada profunda nisso ai e pensa na coisa que mais tá incomodando no momento”, disse o caboclo. cardoso obedeceu, e quando abriu os olhos depois da tragada, o pajé já não era mais ele. cardoso estava numa outra floresta, rodeado por muitos índios, e o caboclo vestia um traje típico de rituais. cardoso, sem achar nada daquilo estranho, começou a conversar com o pessoal, numa língua que ele não conheciam as que aparentemente fazia o maior sentido. discutiram questões cotidianas e existenciais, numa cena bizarra onde um ruivo branquelo de dois metros de altura discute sua vida suburbana com deuses indígenas frutos de sua imaginação. quando cardoso acordou, o pajé lhe questinou sobre o que ele lembrava. “eu não lembrava de nada tá ligado, era tudo numa língua estranha. falei pra ele. sabe o que ele me respondeu? daqui uns anos vai fazer sentido”. “e faz sentido?” perguntei ávido por um pouco de esoterismo. “não sei, eu nem penso muito nisso na verdade”.

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10 de dez. de 2011

A noite de Tatata

Por Por Jerusa Campani e Mariana Müller
Fotos Jerusa Campani e Mariana Müller


Entre noites gaúchas e parisienses, entre livros e festas de gala, óperas e boates, Tatata passou a juventude transitando, se divertindo e refletindo na parte escura do dia. Mas, assim como a rotina noturna dele mudou com o tempo, a noite da cidade também não é mais a mesma. A conversa, que seria em um bar de Porto Alegre à noite, acabou acontecendo em um café no fim da tarde de sábado. Em meio a declarações únicas e sentenças inegavelmente “Tatatianas”, aqui estão alguns dos motivos que levaram Tatata a ser um pouco menos Gente da Noite.

Minha vida é noturna, eu sou noturno

Eu sempre fui assim. Eu tive, quando criança, uma doença chamada terror noturno, que as crianças lá por um ano, um ano e meio acordam em pânico e ninguém sabe por que, nem a criança, nem os familiares. Eu sempre tive isso. E a partir daí eu sempre tive muita dificuldade para dormir e aproveitei essa insônia (que até hoje eu tenho, isso é um negócio incurável) para estudar. Estudar e me pôr em ordem para o outro dia. Se eu tenho um programa de televisão, se tenho uma entrevista especial eu faço tudo um dia antes, porque de manhã eu ainda estou muito lento. Vai da meia noite às 4h, 4h30min. Quando é final de semana eu posso ler da meia noite às 6h da manhã, normalmente. Normalmente.

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A arte que brota da multidão

Por Caroline Berbick
Fotos Caroline Berbick


Centro de cidade grande costuma ser assim: gente com cara fechada por todo lado, todos andando apressados pra algum compromisso inadiável e urgente. Na verdade, no miolo da cidade, se enxerga o que se quer ver. Se absorve o que a sensibilidade permite absorver. A diversidade, a riqueza, a pobreza, o cheiro, o barulho, os empurrões, as cores... Tudo tão familiar e ao mesmo tempo tão exótico. Diversas realidades misturadas num lugar que é de todos. Um lugar que pode servir de passagem, de morada, de sustento, de palco, ou de tudo isso ao mesmo tempo.

Ninja comerciante


“A praça é de quem chegar primeiro!”, avisa Jorge, se preparando pra mais uma apresentação. Ele e Roberto passam a maior parte dos dias sentados no Largo Glênio Peres, esperando o momento certo para as duas performances diárias. Eles são artistas de rua. No meio daquela gente toda, inventaram uma arena onde eles são a atração principal. Já faz 15 anos que Roberto é o “tartaruga ninja” das redondezas do Mercado Público. Com o apelido de Michelangelo (o tartaruga que usava a faixa laranja) ele voa entre três arcos cravejados de facas. Pode parecer impressionante, e realmente é, mas a apresentação de mais de trinta minutos tem ainda mais atrações.

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20 de jul. de 2011

Theatro Municipal do Rio de Janeiro: uma visita à arte

Por Mariana Gil

Inaugurado em 1909, o Theatro Municipal do Rio de Janeiro é uma visita obrigatória a quem passa pela cidade. Construído de frente para a Praça Floriano, conhecida como Cinelândia, o teatro é cercado de importantes prédios históricos, tais como a Biblioteca Nacional, o Museu Nacional de Belas Artes, a Câmara Municipal do Rio de Janeiro e o Centro Cultural da Justiça Federal. Mas mesmo com construções imponentes ao seu redor, o Municipal se destaca por sua fachada de arquitetura clássica e por seus detalhes em ouro. A enorme águia dourada no topo do prédio torna a fachada ainda mais encantadora.

Fachada com detalhes em ouro/Crédito: Mariana Gil



O Theatro Municipal não fica aberto para visitação do público sem acompanhamento. Portanto, quem quer conhecer a arquitetura do interior precisa assistir a uma das peças em cartaz ou participar de uma visita guiada. Embora sem o encanto das luzes noturnas e dos espetáculos no gigantesco palco do Municipal, a visita guiada também tem suas vantagens. Uma delas é poder conhecer todos os cantos do teatro, inclusive a área dos camarins e o fundo do palco. Outra vantagem é poder ver o prédio iluminado pela luz solar, que entra por enormes clarabóias e vitrais instalados nas paredes e no teto do teatro.

Para os que decidem fazer a visita guiada, o passeio começa de forma inesperada: ao invés de entrar no Municipal por suas portas principais, subindo a escadaria, os guias conduzem o público pela porta dos fundos, visitando primeiro o fundo do palco, passando pela área dos camarins para só então entrar no corredor que dá acesso às frisas – uma série de camarotes situados junto às paredes de contorno da sala, no nível da platéia. Na entrada da plateia encontram-se os bustos dos políticos envolvidos na construção do Municipal: Carlos Gomes, João Caetano, Arthur Azevedo, Francisco Pereira Passos e Francisco de Souza Aguiar. Para quem está mais interessado na arte em si do que na história política de 1900, vale dar uma escapada do passeio para observar as portas de acesso às galerias e às outras salas. Os lustres, todos trabalhados com cristais, também merecem um minuto de apreciação enquanto os guias seguem narrando o contexto político da época.

Salão principal/Crédito: Mariana Gil

Ao entrar no salão de espetáculos, o visitante deve dedicar um bom tempo para poder apreciar todos os detalhes: desde a gravação dourada da numeração das cadeiras até as pinturas de Elyseu Visconti. Na cúpula do salão está o lustre central, todo em bronze dourado, com 118 lâmpadas com mangas e pingentes de cristal. O lustre é circundado por uma das obras-primas de Visconti: a dança de “As Oreadas”, as ninfas que representam a passagem do tempo. Para tornar a obra viva, a cúpula foi cercada de pequenas clarabóias que permitem a entrada da luz em diferentes momentos do dia, criando assim movimento à pintura.

A visita segue no sentido inverso do movimento natural do teatro, chegando então ao hall de entrada e à escadaria principal, que dá acesso ao pavimento nobre, onde se encontra o foyer e os camarotes. A permanência no andar de entrada do Municipal é rápida, enquanto os guias explicam a origem dos mármores que cobrem a sala. O salão de entrada, onde se pode ver duas maravilhosas estátuas de Raoul Verlet, representando “A Dança” e “A Poesia”, passa despercebido no passeio, visitado apenas por aqueles mais curiosos que arriscam sair de volta da escadaria e exploram sozinhos os espaços onde o público espera pelo início dos espetáculos à noite.

O pavimento nobre é onde o visitante deve ter seu segundo momento de prolongada observação. Em cada parede, em cada coluna, é possível encontrar obras de arte. Começando por três vitrais com imagens de belas mulheres, que representam a dança, a música e o teatro. No topo da escadaria em ‘Y’ que leva para o pavimento nobre, a imponente estátua de mármore de Jean Antoine Injalbert representando “A Verdade”.

Vitrais/Crédito: Mariana Gil

Para encerrar o passeio, o público é levado para o subsolo para conhecer o salão onde antigamente funcionava o restaurante Assyrio. A decoração escura assusta ao primeiro olhar, em choque com a visão clara e colorida do resto do teatro. O salão, único em toda a América do Sul, com suas paredes completamente revestidas de cerâmica esmaltada, seus mosaicos, suas colunas com cabeças de touro, fontes, os Gilgamesch e os enormes Kerubs ornando o salão deixa clara a forte inspiração na antiga Babilônia. Ao passear pelo local o visitante sente-se facilmente na Turquia.

Salão Babilônia/Crédito: Mariana Gil

A visita guiada pelo Theatro Municipal do Rio de Janeiro dura cerca de uma hora, que para o público passa como cinco minutos. Após sair pela lateral do prédio, muitos dos visitantes ainda passam um tempo no pátio, fotografando a fachada e apreciando cada detalhe. Com seus 102 anos e apenas uma reforma completa em 2008, o Municipal sustenta seu posto de principal casa de espetáculos do Brasil e uma das mais importantes da América do Sul com maestria e elegância. Um inesquecível ponto turístico da cidade maravilhosa.

Fachada/Crédito:Mariana Gil

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